Registro foi feito na Delegacia de Polícia Civil do município; segundo a comunicante, médico teria ameaçado "se lembrar" dela e de familiares caso pagamentos não fossem feitos

Vice-prefeito de Peixoto de Azevedo é alvo de boletim de ocorrência por suposta ameaça a secretária de consórcio de saúde

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Um boletim de ocorrência registrado na Delegacia de Polícia Civil de Peixoto de Azevedo, no norte de Mato Grosso, aponta o vice-prefeito do município, o médico José Agnaldo Paranhos Souto, como suspeito de ameaça contra a secretária executiva do Consórcio Intermunicipal de Saúde do Vale do Peixoto. O documento (nº 2026.275948) foi elaborado em 20 de agosto de 2026, e o fato teria ocorrido dois dias antes, em 18 de agosto, por volta das 16h.

O que diz o boletim

De acordo com o relato da comunicante, que atua no consórcio desde 1º de julho de 2026, o médico, que também presta serviços ao órgão por meio de empresa terceirizada, foi até a sala dela, na sede do consórcio, para cobrar pagamentos de serviços médicos que, segundo ele, estariam atrasados.

Durante a conversa, ainda conforme o registro, o suspeito teria afirmado que, caso os valores não fossem quitados, “se lembraria” dela, em tom ameaçador. A secretária também relata que houve referência a seus familiares: se o médico recebesse pacientes parentes dela, também “se lembraria”, o que ela interpretou como a possibilidade de deixar de prestar atendimento.

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Conversa na prefeitura

O boletim registra que, no dia seguinte (19), a comunicante soube que o médico esteve na Prefeitura Municipal para conversar com o procurador do município, identificado como Dr. João. Na ocasião, segundo o relato que chegou a ela, ele teria admitido ter feito as ameaças. Foi após tomar conhecimento disso que ela procurou a delegacia.

Sem representação, por enquanto

O documento classifica o caso como ameaça (consumado), crime previsto no Código Penal, com violência do tipo moral. A comunicante informou não desejar oferecer representação criminal neste momento. Em crimes de ameaça, a representação da vítima é condição para o andamento da ação penal, e ela foi informada de que tem seis meses para manifestar o interesse, conforme a lei. O boletim foi encerrado “para conhecimento e demais providências”.

Ponto de atenção

O boletim de ocorrência registra a versão de quem o comunica e não representa, por si só, comprovação dos fatos nem condenação. O suspeito não tem sua versão registrada no documento. A reportagem não localizou a defesa do vice-prefeito, e o espaço segue aberto para manifestação.

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